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Seu azeite é realmente extra virgem?

  • Foto do escritor: Adriana Lira Filbrick
    Adriana Lira Filbrick
  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

O que está por trás da polêmica


Você deve ter visto essa notícia circulando nos últimos dias: investigações recentes do Ministério da Agricultura, motivadas por uma ação do Ministério Público Federal, encontraram azeites vendidos como "extra virgem" nas prateleiras dos mercados brasileiros que, na verdade, não correspondem a essa classificação — alguns foram reclassificados como "virgem", e alguns casos mais graves como "lampante", categoria imprópria para consumo direto.


Isso gerou muita dúvida nos consumidores: "como saber se o azeite que eu uso é o que o rótulo promete?" Vou explicar a lógica por trás das categorias, e como escolher com mais segurança, sem apontar o dedo para as marcas, já que as investigações ainda estão em andamento e os resultados são preliminares.


As três categorias, sem mistério


Extra virgem: Extraído a frio, por processo mecânico, com acidez máxima de 0,8%. Preserva o máximo de compostos benéficos — antioxidantes e polifenóis — e tem o perfil sensorial mais completo (aroma e sabor frutado).


Virgem: também extraído mecanicamente, mas com acidez mais alta (até 2%) e pode ter pequenos defeitos de aroma ou sabor.


Lampante: acidez acima de 2%, com defeitos sensoriais evidentes. Não é próprio para consumo direto — precisaria passar por refino industrial antes de chegar à mesa. O nome vem do uso antigo desse óleo como combustível para lamparinas.


O problema não é o azeite virgem existir (ele tem seu uso, inclusive é mais resistente a temperaturas altas para cozinhar), o problema é vender um produto de categoria inferior com o preço e o rótulo de extra virgem.


Por que isso importa para quem treina


Não é só uma questão de "ser enganado" no preço. O valor nutricional muda entre as categorias: o extra virgem, por preservar mais compostos antioxidantes e ácidos graxos monoinsaturados intactos, tem papel relevante na modulação da inflamação, algo que interessa especialmente a quem treina pesado e já lida com processos inflamatórios naturais do esforço físico. Um azeite de qualidade inferior, mesmo sem risco imediato à saúde, entrega menos desse benefício.


Como se proteger na prática


  • Desconfie de preço muito abaixo da média para azeites extra virgem. Os de verdade tem um custo de produção mais alto, que não cabe em promoção agressiva;


  • Verifique a data de colheita (não só validade) — azeites frescos, consumidos dentro de 12-18 meses da colheita, preservam melhor as propriedades;


  • Prefira embalagens escuras ou latas — luz degrada a qualidade do azeite com o tempo


  • Teste sensorial simples — um extra virgem de qualidade tem sabor frutado, um leve amargor e ardência no fundo da garganta (sinal de polifenóis presentes) — se for "neutro demais" ou tiver sabor de ranço, é sinal de alerta



O que eu oriento


Não é motivo para parar de usar azeite, mas é motivo para escolher com mais atenção. Continua sendo uma das melhores fontes de gordura para o dia a dia, dentro e fora do contexto esportivo. Fique de olho nas atualizações desse caso (o processo ainda está em andamento) e, na dúvida sobre qual marca usar no seu caso, é um ótimo assunto para trazer na consulta.


Este conteúdo tem caráter educativo e reflete informações preliminares disponíveis até a data de publicação. Não substitui uma consulta individual com nutricionista.

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© 2021 por Adriana Lira Nutricionista.

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